Linha vai linha vem
Ouro vai, outro vem
Na esteira é levado
As vezes no trem
Geralmente vai em cima
De um caminhão também
Desenhando na aquarela
O retrato do desmate
Linha vai, linha vem
Separado parte a parte
Por estradas e caminhos
Como obra de uma arte
De lado a mãe nossa
Observa a escavação
Desse ouro prateado
Para a utilização
Nas meras futilidades
Muito úteis à nação
Linha vai, linha vem
Gente vai, gente fica
Turno troca por três vezes
Trabalhador já da dica:
-Filho, queime a nossa vida
Que uma dia agente enrica!
-Para aonde ela vai?
-Não sabemos meu senhor
Só torcemos parafusos
Não sentimos mais a dor
De onde vem, para aonde vai
Essa pedra sem valor?
Dela sai tua panela
Sai também teu chuveiro
Não entendo nada disso
Sou o pobre do mineiro
Dia vinha, Dia ia
Não quis ser o engenheiro
A natureza tá ali
Apenas a observar
Quando a linha que se vai
Decide querer retorná
Ilusão de infinidade
Que um dia vai acabar
-Esse dia nunca chega!
Diz o pobre do refém
-O recurso é infinito
A destruição também!
Continuarei cavando!
Linha vai, linha vem...
Autor:Irvaldo Filho
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